
Foi um rio que passou em nossas vidas...
Na verdade essa matéria era para ter sido escrita no ano passado, mais precisamente no mês de outubro, quando foi registrado nesse blog o falecimento do violonista César Faria, pai do também músico Paulinho da Viola. Mas confesso que na preguiça (e não na genialidade, claro) sou que nem o velho Caymmi. Fosse eu um Paulo, um Carlos, um Francisco, teria escrito esse texto em tempo ágil e com mestria. Mas saí colhendo uma informação daqui, outra dali e então acabei me atrasando.
Gostaria de registrar que esses ilustres músicos estiveram em nossa cidade por ocasião da inauguração do Largo Júlia Genoveva, que fica vizinho ao prédio da antiga Estação Ferroviária e hoje Espaço Cultural Dr. Roberto Varela. Esse largo foi inaugurado no dia 25 de junho de 1999, e tem o nome da avó do músico Paulinho da Viola. Dona Júlia Genoveva nasceu aqui na cidade de Ceará-Mirim, na antiga Rua Felipe Camarão. Por ocasião da inauguração, como já falei, estavam presentes pai e filho. Segundo informação do comunicador Lúcio Som, responsável pela locução naquele evento, o Paulinho da Viola aceitou o convite do então prefeito Roberto Varela para se fazer presente na inauguração, mas pediu que fosse evitada qualquer solicitação para ele cantar. Portanto, em sua visita à cidade não teria nenhum número musical. Acontece que Lúcio Som com aquela sua “manha” de comunicador aguardou a hora certa e deu aquela “cantada” no músico. Foi uma prova de fogo, porque Paulinho da Viola não estava preparado para cantar, nem violão tinha alí. Deu para notar o ar de pânico do cantor, apesar daquela sua costumeira classe. Aí lá se vão os improvisos: encontrar o tom, passar o ritmo e o andamento da música. E sobrou para o grande Sandro (proprietário da antiga banda Estrela do Mar, depois BADAUÊ, hoje apenas Sandro Som), responsável com o seu grupo pela animação musical naquela noite. Vez em quando, conversando com Sandro, costumo lhe dizer que ele deve se orgulhar de ter sido o único músico de Ceará-Mirim a acompanhar o grande Paulinho da Viola – apenas com o seu teclado e de improviso. Quisera eu ter podido um dia acompanhar alguém como ele, mesmo que fosse tocando num berimbau. A audácia de Lúcio Som permitiu às pessoas presentes naquele evento se deliciarem ao som de Paulinho da Viola cantando o grande clássico “Foi Um Rio Que Passou
Naquela noite aconteceu um fato que me deixou meio desapontado. É que eu tenho um irmão que por aquela época, longe de ser um alcoólico anônimo, e sendo um bêbado conhecido mesmo, costumava tomar todas e justamente naquele evento, cheio de “mé” resolveu dar um show à parte ao som da BANDAUÊ. E eu ali, morrendo de vergonha. Até que ele foi solenemente convidado por uma autoridade presente a se retirar do ambiente para não estragar o brilho da festa com aquelas suas mogangas. Curioso é que, na embriaguês daquele bebum, parecia estar previsto o descaso que dariam algum tempo depois àquela bela construção que quase se tornou mais um elefante branco.
Agora, com esse novo Centro Cultural a gente espera que a cidade acolha melhor os seus artistas e que, vez por outra, receba gente de qualidade do meio artístico e cultural. Diz um velho ditado que águas passadas não movem moinhos. Oxalá as águas desse “rio” musical um dia possa vir outra vez banhar a nossa terra e a nossa gente, quem sabe, nas comemorações dos 150 anos de emancipação política do nosso município e que a nossa cultura não encontre tanto o “sinal fechado”. Afinal, para se fazer cultura por aqui é preciso ter “nervos de aço”.

Eliel Silva com Paulinho da Viola

Paulinho da Viola em Ceará-Mirim

Ao lado, o anfitrião, Dr. Roberto Varela

César Faria, Paulinho da Viola, Luciano e Douglas.

Sandro Som








































